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09 julho 2019

[Resenha] Objetos cortantes - Gillian Flynn

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“Objetos cortantes” ; Autora: Gillian Flynn; Editora: Intrínseca; 251 páginas.
    Obrigada por seu chefe, Camille, uma jornalista, teve de voltar a sua cidade natal para realizar uma matéria sobre o assassinato de uma garotinha e o desaparecimento de outra. Relutante a ter que voltar para a casa de sua mãe e para aquela cidade que traz lembranças ruins, ela encara o desafio. A recepção não é nada calorosa, como ela já previa, mas esse era apenas uma das coisas que começaram a incomodar.
“Este lugar faz coisas ruins comigo. Eu me sinto... errada.”
     A mãe de Camille, Adora, é como uma bonequinha, toda perfeita e impecável e sempre fez de sua família essa perfeição. Marian, a filha que ela teve depois de Camille, morreu muito jovem sob os cuidados constantes da mãe que até hoje não se recuperou da perda. Camille nunca despertou o mesmo cuidado na mãe e foi embora da cidade assim que teve oportunidade. A mãe teve outra filha, Amma, que assim como Marian, se tornou a bonequinha de Adora.
“-Uso isto por causa de Adora. Quando estou em casa sou a bonequinha dela.
-E quando não está?
-Sou outras coisas”.
      Um lar anormal em meio a uma cidade anormal que está em luto e em desespero para esconder suas crianças. Logo a garota desaparecida também é encontrada morta. Ambas possuem coisas em comum: foram estranguladas e tiveram todos os seus dentes arrancados.
     A polícia não quer se pronunciar, a vizinhança está muito apavorada para apontar suspeitos, mas está claro que é um morador dali. Quanto mais Camille busca respostas, mais é contaminada por aquela cidade. Nada parece normal ali, todas as pessoas são peculiares e guardam segredos.
“Algumas vezes, se você deixa as pessoas fazerem coisas a você, na verdade você está fazendo a elas [...] Entende o que quero dizer? Se alguém quer fazer coisas esquisitas com você, e você permite, você as torna mais perturbadas. Então você tem o controle. Desde que não enlouqueça.”
     Camille tem palavras cortadas sobre todo o seu corpo e esse é o maior segredo dela. Desde muito jovem ela começou a se mutilar, mas agora conseguiu parar. Entretanto, todas as marcas continuam a assombrá-la e queimam sob sua pele sempre que passa por uma situação semelhante a que a fez marca-la em seu corpo. Caminhar por essa cidade é como acionar suas palavras cortadas a cada passo, a cada nova descoberta.
“E se você ferisse por ser tão bom? Como se você tivesse uma comichão, como se alguém deixasse um interruptor em seu corpo, e nada pudesse desligar o interruptor  a não ser ferir? Sabe o que isso significa?”
     O livro surpreende por trazer relatos tão pesados de uma família que se apresenta como tradicional, mas que carrega segredos e bizarrices. A mãe tem uma espécie de mania em que ela tira todos os cílios da pálpebra quando está nervosa e essa cena, particularmente, me deixou angustiada. Isso somado ao fato de que a protagonista tem o corpo inteiramente cortados com palavras dá ao livro um clima sombrio e angustiante.
     A narrativa enriquecida em detalhes não tem pudor, descreve os personagens enfatizando suas peculiaridades e surpreende por apresentar um plot twist de arregalar os olhos. É uma leitura que não deve ser feita por crianças ou por pessoas que se impressionam facilmente. Assusta ao mesmo tempo que surpreende, cativa e impressiona.

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