[Resenha] Dumplin' - Julie Murphy (Com playlist)

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     “Dumplin’”; autora: Julie Murphy; editora: Valentina; 329 páginas.
      Antes de começar a falar sobre a história, vamos falar sobre o título que eu, particularmente, fiquei bem curiosa para saber o que significa. Dumplin’, significa, de acordo com a protagonista: bolinha de queijo, risole, almôndega, coxinha ou pastel. Imagino que venha de “Dumpling” que, traduzido do inglês, significa “Bolinho de massa”.
      Esse é o apelido que a mãe de Willowdean Dickson a deu. Acredito que a escolha por esse título ao livro é exatamente a aceitação da protagonista. Pois no início, ela não gosta de ser chamada assim, pois o nome é como uma representação do estado físico dela. Porém, com o decorrer da história, ela percebe que um rótulo é insignificante para definir quem ela é.
      Willowdean, ou Will, é uma gordinha de dezesseis anos que convive bem com seu peso. Mas como toda garota, tem suas inseguranças. E elas se afloram ainda mais quando ela conhece Bo, um garoto lindo de morrer que, ao contrário de muitas outras pessoas, parece não se importar com suas gordurinhas. Em meio a um beijo caloroso, Bo passa as mãos pelo corpo de Will e isso já é o suficiente para ela despertar do transe. Ela ficava neurótica com a possibilidade de ele sentir seu “culote”. E mesmo que ele a aceitasse, como seria a aceitação do público ao ver um garoto tão bonito ao lado de alguém tão fora dos padrões?
 “Por que ter coxas enormes e cheias de celulite me obriga a pedir desculpas à humanidade?”
 Como se não bastasse isso, ela tem uma pressão grande dentro de casa por ter uma mãe que foi miss e que continua, mesmo anos depois, a organizar os eventos de miss. Sua falecida tia, Lucy, era uma mulher obesa que parecia a entender melhor do que ninguém. Juntas, elas compartilhavam de um amor pela cantora dos anos 80 Dolly Parton. E agora, conviver com os preparativos para o evento sem ter essa companhia, parece ser sufocante.
 “Acho que o céu é grande demais para não ser compartilhado.”
      Sem ela imaginar, ela traça um novo destino na sua vida quando encontra em meio às coisas de sua tia, um formulário de inscrição para o concurso. Um simples papel guardado no fundo de uma gaveta foi o suficiente para a inspirar a mudar os estereótipos. Quem disse que precisa ser magra para concorrer a um concurso de beleza? Dessa forma, ela decide que vai se inscrever em homenagem a sua querida tia e ainda tentaria recuperar a sua auto estima. 
      Mas o que Willowdean não imaginava é que sua atitude inspiraria tantas outras meninas que também não se encaixavam nos padrões. Millie, uma garota ainda mais gorda que Will, Amanda, que tem uma perna maior que a outra e Hannan, que tem os dentes muito grandes.  Juntas, as quatro se inscrevem e prometem mudar a história.
 “A perfeição não é nada mais do que um fantasma que perseguimos.”
      O livro consegue, com sua história, quebrar os tabus do peso ideal de forma fantástica. Will não é diferente de nenhuma de nós, mesmo ela tendo mais ou menos peso do que nós. Ela ama como nós, ela sente como nós. E atire a primeira pedra quem não tem insegurança! Isso não faz alguém ser pior do que os outros, só nos torna diferentes. Viva a diversidade!
 “Há algo no biquíni que faz com que as mulheres achem que precisam conquistar o direito de usá-lo. E isso é um absurdo. Na verdade, o critério é muito simples: você tem um corpo, não tem? Então veste um e manda ver!”
      O romance não é tão trabalhado e há, por um curto tempo, um triângulo amoroso. Quem disse que uma gordinha não pode ser cobiçada? Mas apesar de ela amar de verdade, ela é independente e bem resolvida em todos os sentidos, inclusive o amoroso. Aos poucos ela começa a entender que o problema não é as pessoas que vão comentar e sim ela, que não deveria ser importar.
 “Há um certo consolo em saber que, para cada pessoa no mundo esperando ser encontrada, há alguém à sua procura.”
      Além dessas questões, outro ponto bem trabalhado é a amizade e a lealdade. No decorrer da história, Will acredita perder sua melhor amiga, Ellen, por motivos banais. Mas como toda verdadeira amizade, elas superam as dificuldades. Afinal “Lealdade é dar uma força para quem precisa. É abnegação. É ficar do lado de alguém mesmo quando não se quer. Porque se ama a pessoa”.
      É inspirador, é romântico e é “Girl Power” até a última página. Dumplin’ é um livro que pode transmitir uma mensagem necessária para muitas pessoas que precisam aprender a se amar. Você é especial do jeitinho que é. Como eu sempre digo, isso não é gordura, é excesso de gostosura. Erga a cabeça e arrase, você foi feita para brilhar! 

Sobre a autora:

Resultado de imagem para julie murphyVive no Texas com o marido que a ama, o cachorro que a adora e s gatos que a toleram. Quando não está recordando deliciosos momentos de sua vida como bibliotecária, escrevendo ou mesmo tentando recolher animais abandonados, Julie pode ser encontrada assistindo a filmes feitos para a TV, caçando a perfeita fatia a pizza caprichada no queijo e planejando sua próxima grande aventura turística.
Após abandonar a profissão de bibliotecária (quanta saudade!), Julie agora é escritora em tempo integral. Seu aclamado romance de estreia se chama Side Effects May Vary.
www.juliemurphywrites.com



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