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23 maio 2019

[Look literário] #32 Elinor Dashwood - Razão e Sensibilidade

     Olá pessoal!
     O look de hoje é inspirado em uma personagem que conheci melhor recentemente, mas faz
parte de um dos clássicos do gênero “romance de época”. Elinor Dashwood é uma das irmãs
protagonistas de Razão e Sensibilidade, livro escrito por Jane Austen e lançado no início do
século XIX.
     Elinor é centrada, dona de opiniões fortes e não costuma se deixar levar pelos outros. A jovem
é do tipo que pensa muito bem antes de falar e escolhe cada palavra com bastante cuidado.
Mas apesar de ser prática e não gostar de demonstrar suas emoções, no fundo ela é sensível,
generosa e, diferentemente da maioria hoje em dia, não é adepta aos pré-julgamentos.



1 – Trench Coat

2 – Scarpin

3 – Colar e Brincos

4 – Chemise

5 – Bolsa

     Quando imagino o que a Elinor do século XXI vestiria, logo me vem à cabeça cores mais sóbrias
e neutras, poucas estampas e cortes simples, então, como ponto de partida, escolhi essa
chemise de viscose em um tom de verde escuro, que mistura a praticidade característica da
personagem, mas ainda mantendo a feminilidade com a faixa na cintura formando um laço.
     Peças atemporais também combinam bastante com a personalidade de Elinor, pensando nisso
recorri ao clássico trench coat e à bolsa de tweed azul marinho. Nos pés, o icônico scarpin,
porém numa versão mais contemporânea, em um veludo de tom rosa bem claro (para trazer
um pouco da paleta de cores quentes) e com amarração no tornozelo. Escolhi um colar e
brincos delicados de zircônia verde água que, mesmo discretos, ainda trazem um toque de
brilho ao look.
     Espero que tenham gostado e até a próxima!

22 maio 2019

Livraria canadense reinventa a forma de vender ampliando seu nicho de forma criativa


     A Livraria Indigo, localizada no Canadá, teve uma ideia brilhante de novo produto para ser lançado no mercado após uma conversa durante um chá entre a executiva chefe da livraria e a escritora "Margaret Atwood". Na conversa, uma delas mencionou que iria para casa, colocar suas meias e ler um livro. E foi aí que surgiu uma ideia: Por que não lançar meia de leituras?
     O lançamento do produto foi um sucesso, logo se tornando uma característica forte da Indigo. Passou ser um presente bem conhecido. De acordo com o site Gazeta do Povo, a loja recebeu tanto destaque nisso, que passou a comercializar outros produtos que são adequados para o perfil de pessoas leitoras, como "esteiras de praia, velas perfumadas, quadros inspiradores, potes de cozinha, pilares de cristal, marmiteiras, kits de cultivo de ervas, conjuntos de facas de queijo de cobre, copos de champanhe sem haste, almofadas e cachecóis."
    A livraria acabou se tornando uma loja de departamento “cultural” sofisticada com foco em leitores. Essa foi uma manobra estratégica bem eficaz para superar a crise literária que o mundo vem passando. Apesar de ser tão diversificada em seus produtos, a loja tem um espaço enorme que fornece mais de 100 mil títulos de livros. E esse conceito de super loja tem se tornado tendência.
     "A variedade da mercadoria é o básico do varejo, e é difícil conseguir isso em uma livraria típica. A Indigo descobriu uma maneira de criar uma aura extra em torno da experiência da compra de livros, criando uma extensão física da leitura”, relata Peter Hildick-Smith, presidente do Codex Group para o Jornal Gazeta do Povo.
     Com uma experiência tão completa, não tem leitor que não deseje visitar esse local. Eu quero que a Indigo venha para o Brasil!

21 maio 2019

[Resenha] Uma noite com Audrey Hepburn

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"Uma noite com Audrey Hepburn"; Autora: Lucy Holliday; Editora: Harper Collins; 270 páginas.
     A resenha de hoje é sobre uma história que conheci por acaso e, não me julguem, comprei pela capa. “Uma Noite com Audrey Hepburn”, escrito por Lucy Holliday, é o primeiro livro de uma trilogia que acompanha a vida de Libby Lomax, uma atriz coadjuvante, que perdeu o controle de muitos aspectos da sua vida, mas continua encarando o mundo como pode.
   No dia em que iria finalmente ter a sua primeira fala em um programa de TV, Libby se envolve em uma confusão em frente a toda equipe da emissora, incluindo o astro (lindo, bad boy...) Dillon O’Hara e termina demitida. Para piorar, quando chega em seu apartamento recém-alugado, descobre que o proprietário o dividiu ao meio para lucrar mais e, ainda por cima, os móveis que tinha escolhido foram trocados.
     Quando tudo o que Libby queria era uma noite de descanso com uma garrafa de vinho e seu filme preferido – Bonequinha de Luxo – ela recebe uma visita inesperada. Audrey Hepburn aparece sentada em seu sofá, assim como nos seus maiores devaneios de infância, quando se imaginava sendo melhor amiga da atriz.
   Audrey é como uma injeção de autoestima para Libby que, como muitas de nós, é cheia de inseguranças e sempre duvida de suas capacidades. Além de ajudá-la a superar algumas questões emocionais, já que a protagonista não tem uma relação boa com a família, a atriz ainda se mostra uma ótima consultora de estilo mesmo estando várias décadas à frente do seu tempo.

“- E você sabe do que mais me orgulho? [...] – De não deixar nada me assustar. Eu não era qualificada para fazer par com Gregory Peck. Não era boa o suficiente para dançar com Fred Astaire. Mas mergulhei de cabeça e dei o meu melhor, porque essa é a única maneira de uma mulher encontrar seu lugar neste mundo.” p. 114

    A história é bastante envolvente e isso se deve um pouco à seus personagens bem construídos. Alguns deles são fáceis de odiar, já outros nos proporcionam momentos bem fofos - como o melhor amigo de Libby, Olly Walker - e diálogos muito engraçados com Bogdan, o filho do dono do apartamento em que ela mora.
   O livro é cheio de referências à Era de Ouro do cinema Hollywoodiano, com destaque, obviamente, para Audrey e algumas das produções que estrelou. A única coisa que me incomodou um pouco foram os capítulos longos, mas devido a escrita fluida da autora e a edição (com páginas amareladas) eles não tornaram a leitura cansativa.
    O romance é um chick-lit muito divertido, no estilo Sophie Kinsella e Marian Keyes, então, se você gosta das autoras e suas personagens que se metem em situações no mínimo engraçadas, esse livro é para você. Felizmente a história de Libby não acaba por aqui, ainda temos “Uma Noite com Marilyn Monroe” e “Uma Noite com Grace Kelly” para acompanhar as confusões da personagem.
Espero que tenham e até a próxima!

20 maio 2019

Hataraku Maou-sama!

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 Hataraku Mao-Sama! (はたらく魔王さま!,Hataraku Maō-sama, O Diabo é um Freelancer!,  também conhecido como The Devil is a Part-Timer!) é uma série de light novel escrita por  Satoshi Wagahara, com ilustrações de Oniku. É publicado pela ASCII Media Works desde  Fevereiro de 2011 e já conta com 18 volumes encadernados. Também ganhou duas  adaptações para mangá e uma para anime produzida pelo estúdio White Fox.


O Rei Demônio Satan estava a apenas um passo para a conquista do mundo mágico Ente Isla, mas acabou sendo derrotado pela heroína Emilia Justina e forçado a ir para outro mundo: A Terra dos tempos atuais. Pela falta de magia nesse mundo, Satã e seu fiel escudeiro Alsiel assumem formas humanas. Agora, sobre o nome Sadao Maou, o Rei Demônio precisa virar um freelancer 

Resultado de imagem para hataraku maou samaem uma rede de fast food para conseguir sobreviver e pagar suas despesas. A partir daí, Sadao e Alsiel (agora sob o nome Shiro Ashiya) começa a viver como humano enquanto planeja retornar a Ente Isla, e assim dominar este e a Terra. O que ele não contava era que Emilia também viesse para a Terra, com o objetivo de matá-lo.


O anime é produzido por White Fox e dirigido por Naoto Hosoda. O anime tem 13 episódios 
foi ao ar entre 4 de abril e 27 de junho de 2013 no Tokyo MX e posteriormente foram ao ar 
na KBS , SUN-TV , BS Nittele, TVA e AT-X . A série foi licenciada na América do Norte pela
 Funimation para streaming. O tema de abertura é "Zero !!" por Minami Kuribayashi , que 
também é usado como o tema de encerramento do episódio 2. "Star Chart" por Nano Ripe é 
Resultado de imagem para hataraku maou samausado como o tema de encerramento do episódio 5, enquanto "Gekka" ("Moon Flower") de 
Nano Ripe é usado como tema de encerramento para os episódios 1, 3, 4 e 6 em diante. Tsumabiku Hitori De Nano Ripe é usado como tema de encerramento do episódio 13.




18 maio 2019

Doação de Livros do mês de Maio/2019


     Olá, leitores!
     Mais uma linda edição da doação de livros começa agora e espero poder contar com vocês para divulgar o projeto e para adotar os livros, fazendo dessa uma edição incrível! Obrigada a todos que tem contribuído e se souberem de pessoas que tenham livros para doar, por favor, podem recomendar o blog.

     Prontos para adotar livros? Vamos lá!

16 maio 2019

[Resenha] Tsumitsuki - Hiro Kiyohara

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    “Tsumitsuki”, espírito de culpa, foi escrito por Hiro Kiyohara, mesmo autor de Another e publicado no Brasil pela editora JBC.
   Para quem já conhece “Another” vai encontrar em “Tsumitsuki” um universo totalmente parecido, onde também há alunos deixando de ser lembrados, alunos que se tornam espíritos. Mas nessa nova narrativa, o espírito se torna um tsumitsuki quando a culpa por algo que aconteceu a ele ou a alguém próximo o consome ao ponto de se tornar esse espírito, uma entidade, que para a transição não precisa morrer, precisa apenas ser consumido por culpa.
    Entre esses seres, existe uma pessoa que vaga pelos corredores do colégio buscando por tsumitsukis. Esse garoto recebeu a missão desde muito novo e continua seguindo sua tarefa até que um reencontro que ele deseja muito aconteça. Um mistério muito maior envolve a vida desse garoto e é só após uma das garotas se interessar pelo assunto é que todo os segredos são revelados.
      O mangá é um oneshot, ou seja, é volume único e pode ser encarado como uma história paralela a de “Another” e assim como a obra principal do autor, é instigante e aborda o misticismo de maneira brilhante. Apesar de ser considerado uma história de terror, não remete tantos medos, eu classificaria mais como suspense e fantasia. É claro que o tema abordado não é recomendado para menores de 14 anos pelo tom sombrio, mas para adultos, é uma leitura que pode ser feita com tranquilidade.
    Eu recomendo que leiam “Another” antes, não que seja realmente necessário, mas tenho certeza que proporcionará uma experiência ainda melhor. Os traços e a história bem desenvolvida tornam a obra espetacular e inesquecível.
    A história de “Another” foi adaptada para anime em janeiro de 2012 e teve seu último episódio transmitido em março do mesmo ano contando com apenas 12 episódios. Já “Tsumitsuki” se manteve apenas no papel.

15 maio 2019

7ª edição do Festival Literário de Iguape (FLI) busca refletir sobre Futuro, Lugar e Memória

Realizado no Vale do Ribeira, o evento oferece uma programação gratuita, que reúne grandes nomes como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Luedji Luna, Zezé Motta, Mel Duarte, Nação Zumbi e muito mais. A cocuradoria é de Bianca Santana

Futuro, Lugar e Memória: esse é o tema da 7ª edição do Festival Literário de Iguape (FLI), que acontece no interior do estado de São Paulo – no Vale do Ribeira – desde 2013. Este ano, o evento será nos dias 7 e 8 de junho, sexta-feira e sábado, reunindo dezenas de artistas importantes que discutirão sobre território, ancestralidade e povos tradicionais. O Festival é uma realização das Oficinas Culturais – Programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis – em parceria com a Prefeitura Municipal de Iguape. Na sexta-feira (7) o evento começará às 19h, e no sábado (8) às 10h.

“A alquimia de quem somos está no Vale do Ribeira. Camadas de escrevivências nas águas, na resistência das populações tradicionais, na arquitetura colonial, nas matas, nos livros. Memória que é futuro, no tempo perene do hoje. A produção literária do Vale se potencializa no encontro com a literatura produzida fora daqui. Olhares diferentes nos apresentam perspectivas diversas da nossa história. Aquela que não está nos livros, mas também aquela que já sabemos de cor, de tanto ler e ouvir. Um festival literário que é convite a conhecer mais camadas do chão que pisamos”. Essa é a proposta do 7º FLI, nas palavras da cocuradora Bianca Santana, que é jornalista, colunista da Revista Cult e autora do livro Quando me Descobri Negra (SESI-SP 2015).

A programação conta com shows, rodas de conversa e sarau, além de lançamento e troca de livros, com a presença de grandes nomes como Conceição Evaristo, Luedji Luna, Zezé Motta, Mel Duarte, Nação Zumbi, Russo Passapusso, Geovani Martins, Ana Maria Machado, Angélica Freitas, Cidinha da Silva e Eda Nagayama. O Festival é gratuito e as atividades acontecerão na Praça da Basílica, no Museu Histórico e na Biblioteca Pública Municipal.

No primeiro dia, sexta-feira (7), o público será convidado a refletir sobre palavra, sociedade e insurgência, a partir da vida e da obra de três olhares e gerações: Geovani Martins, autor do aclamado O Sol na Cabeça; Russo Passapusso, músico, compositor e integrante da banda BaianaSystem; e Zezé Motta, célebre atriz e cantora brasileira. A roda de conversa O Futuro não demora será às 21h, no Território da Palavra, localizado na Praça da Basílica. Fechando a programação do dia, às 23h, Luedji Luna apresentará um show autoral que une música brasileira e africana. Seu álbum Um Corpo no Mundo lhe consagrou uma das mais promissoras revelações musicais da atualidade, sendo premiada e indicada aos Prêmios Bravo, SIM, WME, Caymmi e Multishow 2018.

Já no sábado (8), será a vez de Conceição Evaristo, uma das principais expoentes da literatura brasileira contemporânea, tratar de temas presentes em suas obras, como educação, gênero, memória e relações étnicas na sociedade. A autora de Olhos D'água e Ponciá Vicêncio passa pelo campo da poesia, da prosa e do ensaio literário. Escrevivência Insubmissa acontecerá às 14h, também no Território da Palavra. Às 21h, Ana Maria Gonçalves (Um Defeito de Cor), Deborah Dornellas (Por Cima do Sol), Marcelino Freire (Contos Negreiros e Nossos Ossos) e Deivid Domênico, um dos compositores do samba-enredo de 2019 da Mangueira, refletem sobre outras perspectivas e versões do nosso passado, em Histórias que a História não Conta ou Avesso do Mesmo Lugar. E, às 23h, a banda Nação Zumbi fará um show, que encerrará a 7ª edição do FLI. Precursor do Mangue Beat e um dos grupos mais importantes da música brasileira, Nação Zumbi apresentará seus clássicos, como Manguetown e Quando a Maré Encher, além de versões de grandes sucessos como Maracatu Atômico. Ambos os eventos serão também no Território da Palavra.

No mesmo dia (8) acontecerá o FLI Paralelo, no Museu Histórico, entre 11h30 e 19h. Uma das grandes atrações do espaço será o bate-papo Futuro, Lugar e Memória, que reunirá os escritores Júlio Cesar da Costa (Na Ribeira da Poesia), Angélica Freitas (Um Útero é do Tamanho de um Punho), Cidinha da Silva (Os Nove Pentes D'África) e Eda Nagayama (Desgarrados). A proposta é discutir sobre escritas que, a partir do território e da identidade, propagam memórias, sentimentos e insubmissões. O bate-papo será das 17h30 às 19h. Neste espaço haverá também conversas com Nega Duda, Timóteo Verá Tupã Popyguá, Islene Motta, Maria Mazarello e Luciana Bento. No FLI Paralelo cada atividade tem 30 vagas, sendo que a distribuição de ingressos será feita 1h antes do início de cada conversa.

Durante os dois dias de Festival, o público encontrará no Ponto do Livro um espaço de troca de obras infantis e adultas, além de gibis. É uma oportunidade de renovar as bibliotecas pessoais sem custo algum. No sábado (8), das 10h às 23h30, basta levar um livro em bom estado e trocar por outro. A atividade acontecerá na Praça da Basílica.

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SOBRE AS OFICINAS CULTURAISOficinas Culturais é um programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo que, desde 1986, promove formação e vivência à população no campo da cultura. O Programa é administrado pela Poiesis – Organização Social de Cultura. Hoje, além de três unidades localizadas na capital, o Programa dialoga com o interior por meio de dois festivais (FLI – Festival Literário de Iguape e MIA – Festival de Música Instrumental), ciclos de estudos sobre gestão cultural e cultura tradicional, qualificação artística de 60 grupos, entre teatro e dança, e ações dedicadas à pesquisa e à experimentação nas diversas linguagens artísticas, a partir da relação direta com 360 municípios, em mais de 600 atividades de formação.

SOBRE A POIESISA Poiesis – Organização Social de Cultura é uma organização social que desenvolve e gere programas e projetos, além de pesquisas e espaços culturais, museológicos e educacionais, voltados para a formação complementar de estudantes e do público em geral. A instituição trabalha com o propósito de propiciar espaços de acesso democrático ao conhecimento, de estímulo à criação artística e intelectual e de difusão da língua e da literatura.

Poiesis – Coordenação de Comunicação Carla Regina | (11) 4096-9827 | carlaregina@poiesis.org.br
Assessoria de ImprensaMarcela Reis | (11) 4096-9857 | marcelareis@poiesis.org.br

Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo – Assessoria de ImprensaStephanie Gomes | (11) 3339-8243 | stgomes@sp.gov.br

14 maio 2019

[Resenha] O mundo de vidro - Maurício Gomyde

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“O mundo de vidro”; autor: Mauricio Gomyde; Editora Porto 71; 205 páginas.
     Preciso começar dizendo que essa obra é um verdadeiro chick-lit versão masculina. Eu já imaginava que o livro me divertiria muito quando começou com o prefácio em que o autor o descrevia como “predifícil”, pela dificuldade em realizar essa apresentação que por vezes é tão cobrada em um livro. Além disso, ele utiliza de diversos sinônimos só para deixar essa introdução maior, com mais de uma página e assim parecer que é importante. Com um prefácio assim tão irreverente, eu já sabia que a trama seria cômica e inédita.
     A narrativa acontece por meio “D’Ele” e “D’Ela”, duas pessoas totalmente diferentes uma da outra. Ele é um cara bem comum, com uma aparência comum e com um emprego comum, do tipo que não chama nenhuma atenção. Já ela é deslumbrante, com uma aparência que não passa despercebida, com uma carreira incrível e com uma vida de dar inveja. Essa mulher era extremamente cobiçada, por isso não deu a menor importância quando Ele se sentou ao lado dela no metrô tentando puxar conversa.
     A primeira vez que Ele tinha a visto havia sido na TV em uma reportagem de ano novo. Ela estava bêbada e comemorava o noivado ao lado do homem que ela julgava ser o amor de sua vida. Ela parecia irradiante. E muito linda.
    Quando ele a viu novamente no metrô, na rotina diária ao caminho do trabalho, ele soube que estava apaixonado. Mas foi difícil uma aproximação. Até que resolveu matar o trabalho e segui-la, descobrindo assim que ela estava indo para um colégio. Determinado a ficar mais próximo dela, Ele se matricula na aula de “Economic Business”, crente de que fosse uma aula simples, talvez uma aula de “economia de buzinas”. Mas tamanha foi a surpresa dele quando chegou e descobriu que ela era a professora.
     Ele tentou se fazer ser notado e conseguiu. Talvez não da forma que esperava. Ele começou a usar roupas extravagantes que um vendedor de uma loja de vestuários garantiu que era a última moda da Europa. E também começou a leitura de um livro que ensinava como ele deveria agir para conquistar a amada.
    Seguindo todas essas instruções, ele conseguiu cada vez mais se aproximar. Mas ele estava muito apaixonado. Ele só pensava nela, dia e noite, tudo que fazia era por ela, todo o futuro era baseado nela. Seu papagaio, que antes só sabia servir como despertador usando apenas a frase “Acoooorda, féla da puta”, incrementou o repertório com pérolas ainda melhores. (Esses bichinhos sempre aprendem com mais facilidade o que não deveria, né?). E então ele escreve uma música belíssima para ela.
     Mas quando ela vai até a casa dele, disposta a dar uma chance pelo menos para a amizade que estava se formando, ela encontra as folhas em cima da mesa com a composição. Ela insiste que ele revele quem é a musa inspiradora daquela canção e quando ele confessa ser ela, ela foge.
     Ela havia rompido o noivado quando descobriu que o sujeito a traia, era recente o término quando Ele se inscreveu no curso em que dava aula. Saber que Ele havia se apaixonado por ela tão rapidamente a deixou muito assustada, por isso achou que o ideal seria se afastar.
    Mas logo ela começou a receber em seu endereço de e-mail capítulos de um livro sem autor. O livro, intitulado “O mundo de vidro”, narrava uma história instigante sobre um casal que construía diariamente um mundo de vidro só para eles. E dentro dele, viviam intensamente esse amor. Cada vez mais curiosa, Ela tentava obter respostas do autor misterioso sem sucesso.
     Em um determinado momento, ela toma consciência que talvez não tenha agido da melhor forma e tenta resgatar a amizade que afastou. Então, assim como Ele pegava o metrô esperando encontra-la, Ela fez o mesmo e, quando o encontrou, tentou uma reaproximação pedindo desculpas.

“’Rá, bonito, né? Agora vai ficar achando que é assim? Pisa, trata mal, despreza, volta com o noivo, faz sexo quando bem entende e quando está sozinha e solitária volta correndo com o rabo entre as pernas pro papai aqui? Tá achando que eu sou igual a sapo cururu, que por mais que tu chute ele sempre volta pulando rapidinho? Tá achando que eu tenho cara de bumerangue, que tu joga e ele volta pra tua mão a hora que tu quer? Tu tá sonhando que eu sou igual a bola de boliche, que tu alisa, enfia o dedo, manda embora e ela volta deslizando pra tu alisar, enfiar o dedo e mandar embora pela segunda vez? E tu tá maluca pensando que eu sou fácil e compreensivo só porque você tem um rostinho bonito, é gostosa, cheirosa, inteligente, delicada, perfeita, é a mulher da minha vida e vem com essa voz doce e maravilhosa fazendo essa cara de cachorrinho triste pedindo perdão?” – pensou
   -Ei, que cara é essa? – perguntou ela.
   -Ahn? Nada não. Eu já tinha te perdoado lá no “com licença”.’”

    Cenas como essa acima são bem frequentes na trama e proporcionam diversas risadas, é por isso que comecei dizendo que é um chick-lit masculino. É um tipo de escrita que eu ainda não tinha tido acesso e gostei demais. O protagonista é hilário e muito real. Não é do tipo perfeitinho, é do tipo cara comum, com características de um homem comum. Talvez um pouco mais atrapalhado do que o normal, mas ainda assim é um cara comum, com alguns pensamentos que até poderiam ser encarados como machista. Ele se esforça muito para conquistar a garota dos seus sonhos sem pensar nas consequências. E as cenas ocasionadas por essa espontaneidade é o que mais diverte.
    O livro envolve um suspense que eu ainda não consegui desvendar muito bem então, se você já leu esse livro eu IMPLORO para vir conversar comigo. Estou quase mandando um e-mail para o autor, mas não quero que ele ache que sou lenta demais para entender as analogias. De qualquer forma, só o fato de eu ter rido muito e ter tido muita vergonha alheia em diversos trechos, já faz dessa história incrível. E confesso que estou encantada por Ele e Ela e gostaria muito mesmo de uma continuação.

 
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