[Resenha] Todas as cores do céu - Amita Trasi


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     Há alguns dias atrás, fiz um post para o blog falando sobre minha experiência com o clube de assinaturas da TAG. E neste mês de dezembro recebi o meu primeiro livro, e sinceramente não poderia ter começado melhor. O livro Todas as cores do céu e da autora Amita Trasi, e foi publicado em 2017, porém aqui no Brasil tem sua publicação exclusiva pela TAG.
Sinopse
Aos 10 anos, Mukta é forçada a seguir um ritual de sua casta, que essencialmente, torna-a uma prostituta. Para salvá-la deste horrível destino, um homem a resgata e lhe dá um lar. Tara, filha dele, cria um laço especial com a criança recém-chegada – um vínculo digno de irmãs. A amizade sofre um baque definitivo, entretanto, quando Mukta é sequestrada. Anos depois, vivendo nos Estados Unidos, Tara retorna a Índia para encontrar a amiga, que, ao que tudo indica, foi submetida novamente à prostituição. Mas a extrema pobreza em Bombaim se mostra uma realidade mais difícil do que Tara consegue suportar.

     Esse é um daqueles livros que quando você termina, você para e pensa o quão sortuda você é, por ter uma condição de vida que te permite ter as necessidades básicas de sobrevivência garantidas. É um livro que te faz refletir. Confesso que em muitos momentos me lembrou dos livros do Khaled Hosseini, principalmente o livro A Cidade do Sol, pois ambos trazem duas mulheres fortes como protagonistas.
     Mukta é uma criança doce, linda e apesar das condições de vida que enfrenta, cheia de sonhos e esperança. Tara é uma menina que vai a escola, é amada pelos pais e sabe muito pouco sobre enfrentar dificuldades. O destino dessas garotas se cruza de uma maneira totalmente poderosa.
Mukta descobre desde muito cedo, que seu destino já está desenhado. O sistema de castas foi abolido na Índia em 1950, porém a hierarquização  continua dividindo a sociedade por lá. Muitas crianças como a retratada na história, de castas inferiores, já sabem que serão devadasis logo após nascer.
     Apesar da prática ser ilegal desde 1988, famílias muito pobres ainda oferecem suas filhas com oito, nove, dez anos, a deusa Yellamma. Essas meninas são proibidas de casar e dedicam a vida a dar prazer aos homens da comunidade, sendo chamadas de prostitutas do templo.
     A mãe de Mukta se desespera com o passar do tempo, pois sabe que não vai demorar para a filha ser alcançada pelo mesmo destino triste e sofrido que o seu. Ela tenta contado com o pai da menina, para que ele a ajude a não ter essa vida. Porém, ele se recusa a colaborar.
     Após uma fatalidade, a menina consegue ajuda, e um lar temporário na casa dos pais de Tara. E então que as duas meninas constroem uma amizade verdadeira e muito intensa.
Mas a sorte definitivamente não caminha ao lado da menina, e Mukta acaba sendo sequestrada da casa de Tara.
     O tempo passa, e Tara não consegue esquecer um segredo que a atormenta desde o sumiço de Mukta. Esse segredo poderá acabar com a amizade das meninas, mas mesmo assim, ela não desiste e larga sua vida nos Estados Unidos, para onde se mudou com o pai, e volta a Índia, para o seu passado, para encarar seus fantasmas.
    O que ela não imagina e que essa viagem a trará muitas outras descobertas e que sua vida nunca mais será a mesma.
   Esse livro tem uma história muito poderosa, e a escrita da autora permite aos leitores se transportarem para essa realidade triste e cruel da qual muitas meninas são submetidas. É meu primeiro livro de Amita e o modo como ela constrói seus personagens, principalmente os femininos, que são fortes, decididas e destemidas, me agradou muito. Todas as cores do céu é um livro mágico e inesquecível, daqueles que só de ouvir o nome, vou sempre me lembrar de sua rica história!

Trechos do livro
Quando mais tarde contei a Amma, ela disse que aquele não poderia ser meu pai, que meu pai era um homem muito correto, que nunca nos deixaria para trás. Mas eu sabia. Quando corri atrás do carro, o homem olhou para trás rapidamente, como se lamentasse ter que me abandonar. E eu soube então, eu soube enquanto a poeira levantada pelo carro batia no meu rosto, que meu pai não me queria, que ele nunca viria me pegar. Sakubai estivera certa o tempo todo; eu não merecia um pai. Pág. 52

Tentei soltar a mão dele, mas ele me puxou de baixo da mesa na sua direção – seu hálito fedendo a alho e cigarro – com uma força que balançou a mesa, derrubando o espelho. Quando ele caiu, pude me ver nele – quebrada em um milhão de pedacinhos. Pág 76

Todas as cores do... céu. – Levantei os olhos para ele. Eu me lembrei daquilo que Amma sempre me dissera. Ele estava me dando esperanças. – Obrigada – falei. Pág 325


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