[Resenha] A última carta - Carla Laurentino

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Resenha – A Última Carta
Numero de páginas: 312
Autora: Carla Laurentino
Editora: Bezz – Selo Leque Rosa
         Antes de tudo, preciso dizer que este livro foi uma dessas surpresas boas que acontecem às vezes. Quando pensava se tratar de um romance de época apenas rodeado pelas habilidades incomuns da protagonista, com foco no interesse amoroso da personagem, me encontrei imersa em uma história repleta de mistérios e segredos a serem desvendados.
    Violet Bernadth é uma jovem dama pertencente à aristocracia inglesa do início do século XIX. Ao completar dezoito anos, está prestes a ser apresentada formalmente à alta sociedade londrina, o que significa a aproximação de um casamento.
        Porém Violet não é como o resto das garotas com as quais convive, pelo menos ela acha que não, além de ser contra as regras que precisa seguir por ter nascido com a sua posição social, quando toca em objetos que têm algum valor sentimental ela pode ver as memórias que estão guardadas ali. Assim como também tem visões do passado de alguém quando segura as mãos da pessoa.
     Prestes a se comprometer com Thomas Wycombe, por quem de início ela nutre uma certa antipatia, Violet se vê envolvida em algo maior do que as preocupações com as quais está acostumada. Uma trama que carrega assassinatos e segredos e ameaça a reputação de sua família e seu sobrenome.
“- Não se preocupe [...] – digo, antes de passar pela porta – Se escondê-los da maneira certa, ninguém os notará. Só espero que saiba que, por mais que estas manchas desapareçam depressa, algumas outras jamais sumirão, a menos que você permita. Não se deixe levar pelo brilho do anel que sustenta em seus dedos.”
   Em seu livro de estréia, Carla Laurentino constrói uma história do tipo que dificilmente conseguimos parar de ler até conseguirmos as respostas. Mas, além disso, assim como todos deveríamos fazer, ela abre os olhos da personagem para as condições da Londres vitoriana de 1912 que a cerca e que não é feita apenas de bailes de debutantes e jantares requintados, mas sim por miséria, trabalho infantil e outras questões que não atingem seus vestidos bordados.
   A autora também coloca temas até hoje polêmicos em uma época na qual o puritanismo e conservadorismo eram as palavras de ordem. Acredito que uma das principais questões a serem aprendidas pela personagem é que todos escondem coisas que não conseguem ou não querem lidar, a imagem sustentada, às vezes, é somente um vislumbre de quem está por trás dela e que Violet não é a única a guardar um segredo.
   Permeada pelo trágico naufrágio do Titanic, a leitura é rápida mesmo abordando temas considerados pesados, devido aos seus capítulos curtos e a maneira como foi escrita. Uma boa opção para aqueles que gostam da estética dos romances de época atrelada a uma trama intrigante.



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