[Resenha] Sorrisos quebrados - Sofia Silva

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“Sorrisos quebrados”; autora: Sofia Silva; Editora: Valentina; 232 páginas.
“A vida não deve ser medida por ‘mais um dia’. Não. Ela é feita por pequenos e efêmeros momentos que mudam tudo”.
   A quantidade de emoções que senti quando iniciei, durante e quando finalizei a leitura são tantas, que é difícil encontrar palavras para começar a falar sobre esse livro, então vou começar pela minha história com ele.
     Bom, há mais ou menos um ano e meio eu tenho visto muitos comentários positivos sobre esse livro, muitos leitores exaltados sobre a beleza que as páginas dessa obra carregam. Claro que já me despertava curiosidade desde aquele tempo, mas nunca tive um contato muito próximo com o wattpad para ir conferir por mim mesma. Algum tempo depois, Sofia Silva foi convidada para publicar pela Editora Valentina e isso foi uma grande vitória. Não só para a autora, mas para seus leitores também. Lembro-me de participar da votação da capa (votei exatamente na que ganhou) e lembro do sucesso que foi a bienal, que infelizmente não compareci, mas acompanhei tudo de longe. Hoje, ao finalizar a leitura, entendo todo o sucesso e desejo que venha ainda mais. Um livro como esse precisa ser aplaudido de pé. Não só pela temática, mas pela delicadeza e responsabilidade que cada página foi escrita. À autora deixo não apenas meus parabéns, como também minha gratidão. Obrigada por dividir essa história conosco.
     A narrativa se intercala entre a visão de Paola e a visão de André, mas se inicia com a de Paola em um momento muito forte. A violência doméstica. Confesso que a cena relatada no primeiro capítulo me causou arrepios e até certa vertigem. É agonizante. Mas é muito real. Quando se imagina que essa é ainda a realidade de muitas mulheres fica difícil controlar as emoções.
    Paola é uma pintora apaixonada por sua profissão que achou que se casaria com um príncipe, o mais desejado entre as mulheres, mas na verdade se casou com um vilão. E percebeu isso com pouco tempo de casamento quando ele começou a ser violento com ela. A violência foi se intensificando até chegar ao momento onde o livro se inicia. O momento que ela quase morre.
    Depois desse trauma, viver tranquila se torna uma tarefa impossível. Paola tem medo de todos os homens que se aproximam, sobretudo os mais fortes. Passou a frequentar uma clínica e, mesmo tendo crises ocasionais, ela tem se recuperado bem. Mas as marcas são visíveis, principalmente no seu rosto, onde Roberto deixou grandes e intensas cicatrizes que a acompanham desde então. Além disso tudo, Roberto a humilhava de diversas formas, principalmente menosprezando o corpo da mulher que, segundo ele, não tinha atrativo nenhum. Paola acreditou nisso. Acreditou que nenhum homem jamais a acharia bonita. Até conhecer André
“Porque, Paola, todas as suas partes feias são as mais lindas que eu já vi”.
    Do outro lado, tem a história de André. Assim como Paola, ele se quebrou por amor. Também traumatizado, não cede mais espaço em seu coração pra nenhuma mulher, exceto sua filhinha Sol.  Ele já não sabe mais o que é sorrir. Não sabe o que é amar. Pelo menos é o que ele achava.
“Você é escuro, André. Durante o dia é apenas uma sombra, mas aqui, junto a escuridão da noite, percebi que, assim como os vagalumes, só na noite sua luz surge. Ela não é forte para iluminar o caminho, mas você pisca. E, quando você brilhou na escuridão, ganhei coragem  para também brilhar um pouco”.
    De forma conturbada, o primeiro encontro entre eles acontece. E logo muitos ocorrem por intermédio da garotinha que viu em Paola uma amiga que jamais teve. E André, incentivado a se aproximar de Paola por causa de sua pequena, não teve como resistir. Ele sabe que está quebrado tanto quanto ela, mas se ela transforma a escuridão em estrelas brilhantes, ele também pode tentar. Mas ele seria capaz de amar novamente?
“O coração é um lugar muito grande, mas, pela primeira vez na vida, quero ocupar um espaço gigante no coração de um homem. Não vou me contentar com um cantinho, André, quando eu arrumei tudo para você entrar no meu”.
    Em meio às constelações de estrelas e baldes de tintas, o amor vai sendo pincelado. E a cada estrela pintada, uma se acende dentro de cada um deles, mostrando que a vida pode ser reconstruída quando esse poderoso sentimento os agracia com uma visita.
    Ao finalizar esse livro, com tantos trechos inspiradores, eu poderia me tornar poeta, pois minha visão sobre as coisas ficaram mais coloridas, assim como ficaram as páginas marcadas por post-its coloridos. Não sei mais o que dizer, apenas sentir, aqui bem no fundo onde fui pincelada com essas palavras que causaram uma grande emoção e talvez uma grande mudança na minha vida.

Deixo para vocês mais alguns trechos que marquei:
“-O bom dos muros é que podem ser derrubados – declara com convicção.
-Tenha cuidado ao derrubá-los, para as pedras não caírem sobre você. Não existe nada pior do que tentar salvar alguém e terminar soterrado.”
 “Eu acredito que sou um quadro abandonado por alguém que nunca desejou ser pintor. Alguém me pegou quando eu era uma tela branca e, em vez de me pintar com a suavidade dos pincéis, me feriu com o lado pontiagudo. Perfurou vezes sem conta até eu ter um buraco grande em vez de uma obra de arte”.
“[...] entendo esse tipo de amor em que perdoamos coisas graves porque acreditamos que nosso amor pode modificá-las. Que as pessoas são más por motivos desculpáveis , e vamos ficando até percebermos que deveríamos ter partido”.
 “A vida é um labirinto onde todos tentamos localizar a saída e onde poucos têm a sorte de encontrar o parceiro ideal para a aventura que é viver. Alguém que não solta a nossa mão quando erramos na escolha do caminho ou porque não temos mesmo vontade de acertar, pois percebemos que mais importante do que localizar a saída é conhecer o labirinto”.
“Às vezes, Pode-se estar acompanhado e sentir que se é a pessoa mais só do mundo”.
“Não interessa o quão velhos estamos, o carinho de quem nos ama é sempre um bálsamo vital”.
“Dinheiro não traz felicidade, mas a falta dele traz desespero”. 

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