[Crônica] Menina da praia - Diogo Meira

Olá, leitores! Hoje trago para vocês algo diferente, uma crônica escrita por um convidado especial. O convidei a publicar aqui por ter me encantado com o texto e ter sentido a necessidade de compartilhar com o mundo! O texto é de Diogo Meira.
Gente, é fantástico e tenho certeza que vocês vão gostar!

Menina da praia

Por: Diogo Meira

Foto: Diogo Meira

     Ela caminhava lentamente noite adentro sentindo uma leve brisa que vinha do oceano tocava seu rosto e a rua vazia e escura deixava-a a mercê de seu próprio destino. Seu corpo empinado caminhando pela madrugada e envolto em roupas brilhantes a fazia assemelhar-se as poucas estrelas que iluminavam o céu naquela fria noite de junho.

     Ela olhava para os lados a procurava por alguma coisa.  Sabia que em pouco tempo não estaria mais ali. Focava seus olhos em um ponto qualquer no horizonte escuro de além mar. Os galhos das árvores ecoavam gritos de lamúria açoitados pela agressão do vento impiedoso.

     No meio  da neblina ela se alegra ao ver, não muito longe dali,  uma luz se aproximando. Acabara de encontrar o que tanto procurava. Dentro do carro o calor humano a aquecia do frio que fazia lá fora. O cheiro forte de fumaça de cigarro chegava a irritar-lhe as narinas, sobre o painel, uma garrafa de bebida chamou sua atenção, fazendo-a, por um momento, sentir vontade de talvez não estar ali.

     Ela sente uma mão forte tocar seu corpo e num instante aquela doce menina da praia se liberta das amarras e enche-se de volúpia e libido. Sua respiração ofegante demonstra o estado de êxtase total em que seu corpo e sua mente se encontram. A mente desvaira-se com um prazer outrora jamais sentido.

     Ela sente o forte toque daquelas mãos e por um instante se sente protegida de qualquer perigo que o mundo possa lhe oferecer, pois tem a certeza de que elas a protegeriam.

     Seu corpo despido mostra em sua nudez toda a beleza recolhida sobre as roupas brilhantes. Uma boca perfumada toca com veemência seus lábios cintilantes, fazendo-a por um instante sentir-se amada. Seus olhos amedrontados agora brilham mais intensamente que minúsculas estrelas que ilustram aquele céu escuro do lado de fora.

     Um desejo infinito toma conta de seus pensamentos, enquanto é beijada e acariciada por aquelas mãos que, apesar de rígidas, a tocam carinho e ternura. Seu mundo agora se limita as portas daquele carro, lá dentro ela permaneceria por toda a eternidade; feliz e protegida por uma mão forte que não a deixaria desamparada.

     Então  tudo se acaba. Ela suada repousa, e aquelas mãos antes tão rígidas agora pousam sobre ela tão macias quanto à brisa que acalentava seu rosto a beira mar.  Num rápido instante ela recebe o pagamento por seu trabalho e depois daquele momento de prazer ela volta a ser a desprotegida menina da praia.

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