[Resenha] Depois daquela viagem Valéria Polozzi


Sinopse:
No tom coloquial próprio dos jovens, Valéria Polizzi relata com bom humor e descontração as farras com a turma de amigos, a dúvida entre "ficar" ou namorar, o despertar da sexualidade, a angústia diante do vestibular e muitas coisas que atormentam qualquer adolescente. Tudo isso seria perfeitamente natural se não fosse por um pequeno detalhe que iria fazer uma enorme diferença: Valéria contraiu AIDS aos 16 anos.
A autora mostra como, de repente, por causa de quatro letrinhas, sua vida passou por uma reavaliação radical. Ela expõe, sem meias palavras, como a doença mexeu com sua cabeça e com os seus sentimentos, ficando claro a sua resolução de preservar sua condição de ser humano a qualquer custo.


Minha opinião pessoal:
"Para começar, deixe me apresentar. Meu nome é Valéria, tenho 23 anos, altura média,
magra, morena, cabelos pretos e lisos. Neta de italianos, filha de pais separados,
pertencente à classe média alta. Como você pode ver, uma pessoa comum, ou pelo menos é
assim que eu gostaria de ser vista. E tenho certeza de que assim todos me veriam, não fosse um 
pequeno detalhe: sou HIV positivo. Sabe o que isto significa? É isto aí, tenho o vírus da AIDS. 
Assustou? Não me diga que teve vontade de largar este livro e ir correndo desinfetar as mãos, com 
medo de ser contaminado. Tudo bem, não precisa entrar em pânico, não é assim que se pega. 
Pode até ler de novo: A-I-D-S, AIDS! Viu? Não aconteceu nada. Ainda que eu estivesse aí do seu
lado, você pegasse na minha mão, me desse um beijo e um abraço e dissesse ”muito
prazer”, eu responderia ”o prazer foi todo meu”, e isso não lhe causaria dano algum.
Podemos continuar? Então, continuemos. Você deve estar se perguntando agora como foi
que isto aconteceu e aposto que deve estar imaginando que eu sou promíscua, uso drogas e,
se fosse homem, era gay. Lamento informar que não é nada disso e, mesmo que fosse, não
viria ao caso. Mas acontece que eu era virgem, nunca tinha usado drogas e obviamente não
sou gay. O que aconteceu então? É simples, transei sem camisinha."
Queria começar com um pequeno trecho do livro que eu achei super interessante! Nele, com um toque de humor e sarcasmo Valéria consegue mostrar o preconceito que existe com os portadores de HIV; oque na minha opinião chega a ser ridículo, pois todos nós sabemos que não se pega AIDS por um abraço, um aperto de mão ou um beijo no rosto.
Esse livro é simplesmente IN-CRÍ-VEL! Eu peguei ele na biblioteca municipal da minha cidade e achei que não conseguiria ler, mas quando peguei o mesmo, li em apenas quatro horas! Apesar de todo o sofrimento, medo e preconceito, Valéria consegue levar a vida com humor, sabe se divertir, e nesse meio tempo, ela conhece os seus verdadeiros amigos! Claro que ela perde alguns, algumas paixões também, mas nada consegue abalar a guerreira que tem dentro de Val! Eu super recomendo à vocês, tenho certeza de que não vão se decepcionar.

Classificação:


Trechos que marquei:

“Bem típico dos adultos, bagunçam a vida e depois levam ao psicólogo para eles darem um jeito.”
“Bem típico de mães. Parece que elas estão sempre ali só esperando o momento mais oportuno para dizer o seu eterno ‘Tá vendo?’.”

“Fico pensando, então, como seria o mundo se todas as pessoas começassem a gastar cinco minutos do seu tempo umas com as outras.”

“[…] – No que é que você está pensando? – ela perguntava. – Nada – eu respondia. Sou dona de fazer isso, o mundo está caindo sobre minha cabeça e eu digo “nada”.”

“Tem que haver alguma razão. Tem que ter algum sentido. Não é possível a gente ter um corpo que sente, um coração que bate, um nariz que respira, um cérebro que pensa, uma alma que sonha, e no fim, não ser nada.”

“Eu podia ter explicado, ter argumentado, ter conversado, mas não, fiquei lá parada, olhando pra ele e ouvindo ele me xingar. Até que ele acabou, virou as costas e saiu andando. Eu ainda podia ter ido atrás, ter gritado, ter feito ele parar. Ter dito o quanto ainda gostava dele. Mas também não fiz nada disso. Fiquei lá parada, vendo ele ir embora.”

“Sentir-se sozinha quando se está sozinha é ruim. Mas sentir-se sozinha quando se está com alguém é infinitamente pior.”

Escrito por: Jhena Ferreira

2 comentários :

  1. Oiii Jhena, tudo bem? Li esse livro há mt tempo atras (tbm na biblioteca) e ele é maravilhoso. É um livro que deveria ser lido por todos. Inclusive, eu até citei ele em uma tag no meu blog como um livro que eu gostaria de compartilhar com todo mundo :) Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Gih. Tudo sim e com você? Pois é, eu peguei ele achando que não ia conseguir ler, mas ele me surpreendeu muito! Acho que ele deveria ser MUITO mais conhecido do que ele é. Val tem uma linda história de vida!

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